Como perder um homem em 10 dias...

Sinopse












Angústia
Basta de prólogos e introduções intermináveis e desafinadas.
Encharca-me a alma a dúvida.
Corrói-me os nervos a angústia.
Basta de sentimentos subjetivos e abstratos.
Reserva-me a serenidade que não possuo,
A sensatez que me falta.
Vai embora!


Um doce frio acorda um dia de mau-humor. Queria dormir um sono profundo e acordar um dia muito longe daqui. Estou cansada, é só isso.
O vento gelado de maio acordou-me a dizer que a vida tá passando. "Mais alguns meses, só p´ra me decidir". Canseira... Uma vontade louca de mudar e de deixa tudo como está. Loucura.
Hoje acordei bem, mas bastou um mau-humorado para mudar todo um dia. Agora não me apetece mais nada. Ah, sujeira. Ah, dinheiro. Só é ruim quando sou eu.
Inverno destes de dormir inteiro e quando terminar, diga-me o que fazer. Sono reparador. Hibernar, enrolada como um urso e acordar com o sol a sorrir. Eu gosto de frio, mas hoje o dia está por demais cinzento.
Agora fecho os olhos e esqueço. Esqueço-me de esquecer e fico lembrando todo o tempo, ladainha cíclica que nunca acaba, dentro de mim. Dentro de mim diz, "é cansaço apenas".
"Não entendo.
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha,
como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso,
é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco. Não demais:
mas pelo menos entender que não entendo."
CLARICE LISPECTOR
P.S. Faz tempo que não posto uma foto minha aqui.

Composição: John Deacon
Só um ano de amor
É melhor que uma vida inteira de solidão.
Um momento sentimental
Em seus braços
É como uma estrela cadente
Atravessando o meu coração.
É sempre um dia chuvoso sem você,
Sou um prisioneiro do amor, dentro de você
Estou caindo aos pedaços ao seu redor - yeah
Meu coração grita para o seu:
"Estou sozinho, mas você pode me salvar!"
Minha mão se estica para encontrar a sua,
Estou com frio
Mas você acende o fogo dentro de mim.
Meus lábios procuram os seus,
Estou com fome do seu toque
Há tanta coisa que ficou sem ser dita
É tudo o que eu posso fazer, me entregar;
no momento, só me entregar.
E nunca ninguém me disse
Que o amor pode machucar tanto,
Ah, sim, machuca!
E a dor fica tão perto do prazer!
E tudo o que eu posso fazer é me entregar
Ao seu amor
Me entregar ao seu amor
Só um ano de amor,
É melhor que uma vida inteira de solidão,
Um momento sentimental
Em seus braços
É como uma estrela cadente
Atravessando o meu coração.
É sempre um dia chuvoso sem você,
Sou um prisioneiro do amor, dentro de você
Estou caindo aos pedaços ao seu redor - yeah
E tudo o que eu posso fazer é me entregar.
(Sem palavras pra expressar a saudade deste que pra mim é Imortal)![]()


UPDATE
Algumas coisas mudaram desde então...Ou terão sido muitas?? Não sei dizer ao certo. O fato é que de uma certa forma não sou mais a mesma. Tenho tentado descobrir em mim qual foi a mudança, onde e como ela aconteceu...Mas é difícil definir.
Enquanto isso...a fila anda!!
:p
U2 "Vertigo"

Ser feliz é parte da obra
Quando todos os medos se diluem paracompor um único medo.
E este medo não é qualquer medo, é pavor...
Quando todas as dores nem parecem ter existido porque a dor que se sente agora é
tão intensa quanto inexplicável.
Quando palavras justificam atos e estabelecem conceitos que não os seus, mas os pretensamente corretos.
É chegada a hora de abandonar o seguro aconchego da ignorância e desfazer-se do lastro.
Enxergar o óbvio também é um ato de bravura, aos que se permitem erguer novas estruturas das pedras tombadas.
É chegada a hora de resistir, a fim de permanecer.
Ser feliz não é tudo, mas é parte da obra.
Recriar, enfim, pode ser a grande vitória.
Renascer, a dádiva merecida.
Colin Hay "Waiting for my real life to begin"


Dos beijos e da fome
Perpetuados na película da memória os beijos nossos de outrora
Línguas, e lábios
Saliva e mordida
Um sorriso
A guarida
A fome
As mãos
O toque
Imortaliza a fome
Sintetiza a gula
Miseráveis,
Devoramos um ao outro...
U2 - "Cruel"


Das manhãs e de sapatos perdidos
Atrasada.
Mais uma vez.
Porcaria de despertador, pensou.
De um pulo alcançou a soleira da porta, tropeçando no tapete do corredor.
Merda, merda, merda.
Estatelada no chão frio, ria sozinha de seu próprio desconcerto.
A julgar pelo baque da queda, já antevia o hematoma.
Banho frio.
Não por opção, que estava longe de apreciar a água fria.
Resmungando para si mesma, recriminou-se por não ter já comprado um chuveiro decente para substituir a ducha comprada por módicos R$20,00 na lojinha da esquina.
Enrolada na toalha, parou diante do espelho examinando as formas mutantes que as roupas escondiam. Tinha a nítida impressão de que elas mudavam a cada dia. E mudavam mesmo. Mutante, repetiu para si mesma em voz alta.
O alarme do despertador dispara, trazendo-a de volta à realidade.
Porcaria de despertador...!
Enquanto fervia a água para o café espiou pela porta da cozinha o sol que ameaçava surgir por trás das nuvens escuras.
Atrasada.
Atrasada e meia.
Adorava o cheiro do café passado na hora que de alguma forma remetia-lhe ao tempo de infância. Ao café da mãe-preta feito no coador de pano, sobre o fogão a lenha de chapas impecavelmente limpas e reluzentes. Pão caseiro recém tirado da forma.
Podia ouvir as palavras da mulher pequenina e de feições por vezes rude, por vezes afável: "Tira essa mão daí menina, que ainda está quente! Vai ficar com dor de barriga!"
A mãe-preta, como a chamavam carinhosamente todos os filhos por ela adotados de coração. Suspeitava mesmo que a causa de sua passagem desta para melhor houvesse sido uma hiper ruptura cardiovascular (?). Excesso de amor. Ou super lotação. Gente demais dentro de um só coração. Amor demais.
Esta era toda a memória que conseguira reunir de um tempo em que julgava, haveria de ter sido feliz.
Toda criança é feliz, pensou.
Ela também haveria de ter sido um dia.
Um gole do café quente, com gosto de nostalgia.
Quisera tantas vezes lembrar mais, e não podia.
O tic-tac do relógio na parede denunciando a transgressão.
Atrasada.
Atrasada ao cubo.
Deu de ombros e uma vez mais deteve-se diante do seu reflexo no espelho, agora já vestida.Invariavelmente demorava a encontrar-se nele, seu reflexo.
Os sapatos.
Procurou por eles embaixo da cama, no armário, no banheiro, até encontrá-los perdidos atrás do sofá.
Suas lembranças de infância já iam longe, enquanto calçava os sapatos e imaginava porque cargas d´água teriam ido parar atrás do sofá.
Mistério.
Mais uma passada diante do espelho - mulher tem dessas coisas .
Check-list.
O livro para devolver na biblioteca, o filme que um amigo pediu emprestado, o dinheiro para pagar a taxa do condomínio sobre a geladeira, o cartão que veio de fora e que deveria ter sido respondido há séculos, as chaves de casa, do carro, controle remoto do portão.
Saiu, trancando a porta atrás de si.
Nas mãos, tudo o que precisava.
No coração, o imenso desejo de ser feliz.



Mudança
Entre o Velho e o Novo...o recomeço
Novo visual, novas idéias, recomeço.
Para mim, de certa forma, o ano se inicia agora.
Aberta para o novo, o inesperado, e para o mais do que esperado também.
Fechei-me como numa concha.
Afastei-me dos amigos, da família até.
Tornei-me uma pessoa quase insuportável de se conviver.
Quase. Alguns poucos que se arriscaram a se aproximar acabaram por descobrir que eu não mordo, não lato, nem rasgo dinheiro. E parecem aliviados!!
Estou retomando as atividades deixadas de lado, com todo o cuidado.
Dentre elas o exercício de pensar e escrever aqui no blog.
Se tudo correr como eu espero, dentro de pouco tempo terei grandes novidades.

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